Três jogos tradicionais portugueses
Infelizmente, cada vez menos se vêem crianças portuguesas a brincar na rua. O normal hoje em dia é encontrar meninos pequenos sentados uns ao lados dos outros, mas a brincarem cada um no seu telemóvel. Era bom que proibissem o uso dos telemóveis nas escolas portuguesas, mas não é esse o tema deste texto. A verdade é que com tanto avanço tecnológico vamos perdendo os jogos tradicionais do nosso país. Daqui a uns anos, já ninguém conhecerá o jogo da “Cabra Cega”, o da “Macaca”, ou até mesmo o “Macaquinho do Chinês”. Para manter estas tradições vivas e no caso de já se ter esquecido de como funcionam estes jogos, aqui está uma breve explicação para cada um deles.
Surpreendentemente, diz-se que o jogo da "Cabra Cega" nasceu origem na China, no século 5 a.C. . Mais tarde, na Idade Média e na Era Vitoriana continuou a ser jogado. Até era considerada a brincadeira “recreativa” favorita da Casa dos Tudor em Inglaterra. Como chegou a Portugal? Ninguém sabe, mas há anos que se joga. A composição do jogo é simples, põe-se uma venda à volta da vista de um dos jogadores e gira-se o jogador algumas vezes para que perca noção da sua posição. Depois, a pessoa vendada tenta apanhar o resto dos jogadores e o primeiro a ser apanhado é o que fica com os olhos tapados na próxima rodada.
O jogo da “Macaca” não é tão acessível já que se precisa de um desenho no chão para se jogar. No entanto, tendo um pedaço de giz na mão pode-se desenhar o jogo no chão. O desenho deve conter três quadrados seguidos na vertical a seguir aos quais vêm dois quadrados na horizontal, sucedidos de outro na vertical e acabando com dois na horizontal. Em Portugal, o tradicional, é o jogador mandar uma pedra para o primeiro quadrado e saltar esse quadrado, fazendo todo o percurso ao pé-coxinho. Na volta para o ponto de partida, apanha a pedra e quando recomeça manda-a outra vez, desta vez para o segundo quadrado. O percurso repete-se até o jogador não conseguir saltar tão longe, já que tem de conseguir saltar para o quadrado a seguir à pedra. Contrariando as expectativas, este jogo não é português. Julga-se que teve origem no império romano, já que existem gravuras em mármore da época que mostram crianças a jogá-lo. Na altura, este jogo básico simbolizava a vida do homem: o fim do jogo estando marcado com a palavra “céu” e o início com “inferno”. A “Macaca” também foi mencionado no “Livro de Jogos” (“Book of Games”) de Francis Willughby, escrito entre os anos 1635 e 1672.
Curiosamente, o “Macaquinho do Chinês” é outra brincadeira portuguesa que também tem um nome do animal no nome. Segundo alguns estudos feitos, este jogo tem origem numa história de um homem chinês, Chow-Chow Li Popotao, e do seu macaco To-mané. Este estava concentrado a preparar a sua refeição enquanto o seu macaco, esperto, se aproximava dele. Identicamente ao jogo, sempre que o homem se virava desconfiado, o macaco parava e fingia não se ter mexido. Eventualmente, o macaco chegou tão perto que lhe roubou a comida. Agora imagine esta história como uma brincadeira para crianças. Enquanto um menino canta "1, 2, 3, macaquinho do Chinês" virado para a parede, os outros vão-se aproximando. Se forem vistos, têm de voltar para trás. Ganha o primeiro a tocar no menino que canta.
Se os jogos que conhecemos em crianças já existem há alguns séculos, quem sabe se não duraram mais algum tempo. Será que é esta geração que os vai esquecer?
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