Quem é André Ventura e como começou o Chega?

     Foi há pouco menos de uma semana que tivemos eleições em Portugal e que o Chega - um partido formado em 2019 - ficou como o terceiro partido com mais votos do país. Em simplesmente cinco anos este partido político passou de ter pouco mais do que 60 mil votos a um milhão de apoiantes. Como é que será que este grupo e o seu líder poderam ganhar tanta popularidade em tão pouco tempo?

    Tudo começou em Sintra, dia 15 de Janeiro de 1983 sendo filho de um dono de uma loja de bicicletas e uma empregada de escritório. André Ventura tornou-se católico aos 14 anos. Na altura, quería ser padre e por essa razão frequentou o Seminário de Penafirme. No entanto, acabou por deixá-lo por se ter "apaixonado". Em vez de ser padre, licenciou-se em direito na faculdade Nova de Lisboa. Continuou os seus estudos na Universidade de Cork onde defendeu a sua tese de doutoramento em Direito Público. Mais tarde, deu aulas em Lisboa na Universidade Nova e na Universidade Autónoma enquanto era comentador desportivo na Benfica TV e no Correio da Manhã (CMTV). Foi em 2017 que André Ventura se começou a envolver na política quando foi convidado pelo Partido Social Democrata (PSD) para liderar a candidatura à Câmara Municipal de Loures. Perdeu as eleições, mas foi eleito como vereador, cargo do qual desistiu em 2018. Antes de abandonar o seu cargo, fez claro que pretendia concorrer contra Rui Rio para ser presidente do PSD, mas acabou por deixar este plano em Outubro. Em vez disso, criou um partido novo: o Chega.

    Poucos meses antes das eleições legislativas de 2019, nasceu o Chega. Para concorrer às eleições Europeias, Ventura decidiu criar uma coligação com o Partido Popular Monárquico (PPM), o Partido Cidadania e Democracia Cristã (PPV/CDC) e o movimento Democracia 21. No entanto, não conseguiu eleger nenhum deputado e por essa razão a coligação foi rapidamente dissolvida. Após as eleições portuguesas conseguiu ser o primeiro deputado do seu partido na república portuguesa. Foi assim que começou o Chega e a propagação das suas ideias.

    Muitas vezes mostrando-se contra minorias, André Ventura já propôs vários planos contra as tais. Após o atentado terrorista em Nice em 2016, Ventura sugeriu no Facebook "a redução drástica da presença islâmica na União Europeia". Em 2017 continuou com as mesmas ideias, insistindo que "os ciganos vivem quase exclusivamente de subsídios do estado" e que "acham que estão acima das regras do Estado de Direito". As seguintes acusações pioraram em 2020, quando devido a incidentes de violência na Praia de Leirosa, na Figueira da Foz, Ventura apresentou um plano de confinamento específico para os ciganos. Segundo o Expresso, parte do plano incluía mais policiamento perto de residências de ciganos e "um levantamento urgente, já no segundo semestre de 2020, da composição, quantificação e localização das comunidades ciganas em Portugal". Foi depois deste momento que a CMTV decidiu dispensar Ventura da sua posição como comentador, dizendo que tinha ultrapassado "algumas linhas vermelhas" e que a posição do político tinha posto em causa "direitos previstos na Constituição, como o direito à vida e a igualdade dos cidadãos perante a lei".

    Porém, a presença de Ventura e do seu partido continua na república e está a tornar-se cada vez mais forte. Nas últimas eleições, o Chega obteve 18,06% dos votos dos cidadãos portugueses. O que acontecerá nas próximas eleições ninguém sabe, mas o que é certo, é que esta força política fica cada vez mais poderosa.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Três jogos tradicionais portugueses

O que é o Lancet Countdown?