Operação lítio e hidrogénio
O primeiro-ministro de Portugal apresentou a sua demissão dia 7 de Novembro. Desde aí, os portugueses têm sido bombardeados de notícias sobre o incidente e alegações de corrupção. Parte da investigação do ministério público é relacionada com o caso do lítio e do hidrogénio. Consequentemente, a questão na cabeça de muitos portugueses é: o que é dois elementos da tabela periódica têm a ver com a demissão de António Costa?
Em primeiro lugar, o lítio é um tipo de metal usado para fazer baterias. Mesmo que não pareça óbvio, é um dos materiais mais essenciais hoje em dia, especialmente por estar presente em baterias de telemóveis e nos carros elétricos. No entanto, este elemento está presente em poucos países, um deles é Portugal. Em segundo lugar, a procura de hidrogénio aumentou drasticamente desde que se descobriu que é uma fonte de energia limpa. Além deste tipo de gás ser o elemento mais abundante no nosso planeta, também é 100% sustentável, facilmente armazenável e versátil: pode ser transformado em vários produtos finais.
No caso do lítio, a mina é situada em Montalegre e João Galamba é conhecido como o protagonista da história. Segundo o Diário das Notícias, em 2019, vários secretários do estado socialista pressionaram os seus colegas para concederem a exploração da mina em Montalegre à LusoRecursos. O contrato de prospecção foi assinado em Março do mesmo ano, mas uma das razões da origem da polémica foi o facto da empresa ter sido formada três dias antes da assinatura. O governo e especificamente Galamba foram avisados do incidente, porém, aprovaram o negócio e deixaram-no avançar. Alguns dias depois num programa da RTP, Galamba disse que foi obrigado a aprovar a concessão por causa de um contrato feito em 2012 pelo governo. O contrato inicial dizia que após o período de exploração, a LusoRecursos podia obter a concessão da mina. No entanto, o ministério público suspeitou de irregularidades na aprovação do processo e de que estas foram originadas de contatos entre Galamba e representantes da LusoRecursos. Foi durante as escutas da investigação que surgiram os nomes de António Costa e do seu chefe de estado e, é por isso, que o primeiro-ministro está ligado ao caso.
Em seguida tentarei explicar a questão da exploração do hidrogénio e o envolvimento de João Galamba no caso. Em 2020, Galamba deu o sinal para excluir um candidato para a prospecção das minas, favorecendo um grupo de empresas que inclui a Galp. A proposta rejeitada não foi incluída na lista dada à comissão europeia para garantir financiamento ao projeto. Nos finais de 2020 duas outras empresas foram adicionadas ao consórcio da Galp, a Martifer e a Vespas. Vítor Escária, o chefe de gabinete de Costa, foi administrador não-executivo da primeira empresa. O ex-ministro do meio-ambiente esteve também envolvido com uma terceira empresa, onde a Vestas começou a investir. De acordo com a investigação do ministério público, existiram vários contatos entre os secretários do estado e o consórcio.
Tudo isto nos trouxe a situação do país de hoje e é por estes incidentes que o governo será dissolvido.
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