A questão do novo aeroporto de Lisboa

    Há mais de meio século que se fala de construir um novo aeroporto em Portugal. Foi em 1969 que se começou a ponderar a relocalizaçao do aeroporto Humberto Delgado (inaugurado em 1942). No entanto, com a revolução de 25 de abril e a crise petrolífera da altura, os planos foram adiados para 1999. Foi então que decidiram escolher a Ota como o melhor local para o novo aeroporto. Já no governo de José Sócrates, foi feito um estudo comparativo entre a Ota e a zona do Campo de Tiro em Alcochete. Foi dada preferência à localização de Alcochete por ser mais barata e os 40 milhões préviamente investidos a explorar a área da Ota foram esquecidos. Entretanto, a crise económica de 2008 chegou a Portugal e mais uma vez, os planos para o aeroporto foram adiados. Chegamos agora ao presente, após 55 anos de discussão, ainda não foi tomada nenhuma decisão. O problema é que desde 2020 que o aeroporto Humberto Delgado não tem capacidade para a procura de voos que existe para Lisboa. Consequentemente, o país podia estar a gerar mais receitas com mais turismo, mas não pode porque o aeroporto não consegue receber mais voos do que já recebe. 

    Dia cinco de dezembro deste ano, a Comissão Técnica Independente (CTI) apresentou uma análise de curto prazo da situação do aeroporto. Além deste relatório apresentar “Portela + Alcochete” como a solução mais vantajosa para o país, também anunciou aos cidadãos portugueses que nenhuma das propostas apresentadas custará menos de 8 mil milhões de euros. Adicionalmente, procedendo com os projectos este ano, nenhum estará pronto antes de 2031. Apesar da opção do Montijo ser a mais barata e rápida, foi considerada irrealizável por razões ambientais e por quase não aumentar a conectividade aérea. Santarém, por seu lado, teria uma área alargada, mas não é das opções preferíveis por ficar tão longe do centro de Lisboa. Sobre o custo dos projectos, a CTI tentou acalmar os portugueses, dizendo que financiamento público não será necessário já que se podem usar as taxas aeroportuárias para pagar as obras. 

    Na solução preferida, seriam feitas obras no aeroporto da Portela (Humberto Delgado) enquanto o aeroporto de Alcochete estivesse a ser construído. Após a sua inauguração, Alcochete seria alargado e Humberto Delgado fechado. O prazo de execução previsto para a construção é de sete anos, começando em 2023 e sem considerar atrasos o local estaria pronto em 2031. Relativamente aos impactos ambientais desta opção, foram considerados pela CTI os efeitos na saúde, a poluição atmosférica, nos lençóis de água, na terra e ainda a possibilidade de sismos. Comparado com todos os outros locais, Alcochete é a segunda localização com mais vantagens em aspectos ambientais. Isto é devido à pequena população que habita o local, para além disso não tem impacto em zonas protegidas como o Montijo e também  é seguro a níveis de desastres naturais. 

    Vendo que o nosso país está a precisar de mais espaço para receber turistas, Alcochete parece ser a melhor solução para o problema. Mesmo assim, não devemos esquecer que qualquer opção trará impactos ambientais irreversíveis e que dentro de poucos anos vamos sofrer com eles.


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