Onde andam os portugueses?
Cada vez são mais as notícias sobre imigrantes a serem agredidos em Portugal. Naturalmente, a quantidade de xenofobia no país também está a aumentar. Segundo O Globo, em 2024, as queixas de ataques xenófobos aumentaram 833% em relação a 2017. Este é só um de muitos números preocupantes. Se fossem portugueses nesta situação o que fariamos? A verdade é que as pessoas reclamam dos imigrantes em Portugal, mas será que os estrangeiros não reclamam dos portugueses a viver fora nos seus países?
Neste momento, há quase 800 mil imigrantes a viver em Portugal, em contraste, existem mais de dois milhões de emigrantes portugueses espalhados pelo globo. De facto, Portugal é o único país da União Europeia com mais emigrantes nacionais do que imigrantes estrangeiros. Além disso, é o oitavo país no mundo com mais emigrantes em proporcionalidade com a população. De acordo com o relatório nacional de emigração de 2022, França é o país com o maior número de emigrantes portugueses, o número supera meio milhão. O seguinte é a Suíça, que tem por volta de dois mil portugueses, depois os Estados Unidos, Inglaterra, o Brasil, o Canadá e, finalmente, a Alemanha com 115 mil.
Considerando que Portugal é uma nação democrática, com bom tempo e cultura gastronómica, o que será que leva os portugueses a emigrar? Segundo um artigo do Observador chamado “Porque emigram os portugueses?”, a única razão plausível é a busca de melhores condições de vida. O anterior fica mais que provado com o facto que os portugueses emigram mais nas alturas de “maior sufoco”, como por exemplo nos anos 60. Por mais que pareça óbvio, este simples facto demonstra que os cidadãos nacionais só emigram por necessidade, não por quererem. Se houvesse oportunidades de trabalho suficientes e de valor em Portugal, as emigrações seriam raras. A mesma fonte mencionada préviamente também argumenta que os emigrantes vêem Portugal como um destino só para férias e, consequentemente, ficam presos numa dicotomia: ou escolhem Portugal ou escolhem uma “vida digna” no estrangeiro. Através deste ponto de vista, é impossível considerar que Portugal também poderia proporcionar sucesso como outras nações, mas a verdade é que pode. Se o governo tentásse replicar as estratégias que funcionam em outros países, será que não proporcionaria uma vida melhor aos seus cidadãos?
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